
Família tradicional no folclore lavrense
Family folklore in traditional lavrense

Companhia de Santos Reis - São Vicente
Companhia de Santos Reis - Saint Vincent
Encontro Folia de Reis - 2009
Homenagem ao escritor
Tribute to the writer
ACADÊMICOS - PATRONOS
Angela Faria de Paula Lima - Guilherme de almeida
Antonio Russi - Victor bastos
Carlos Frederico Leite Correa - Pedro Nava
Eduardo Cicarelli - Oscar Negrão de Lima
Homero Faria - Joaquim josé Leão de Korpo Santo
José Alves de Andrade - Sílvio do Amaral Moreira
Luiz Carlos Ferreira de Sousa Oliveira - João Guimarães Rosa
Maria Carolina Brasileiro de Castro - Sylvio Moreaux
Maria Cássia Terra Mendes - Carmem Cartaxo
Maria Olímpia Alves de Melo - Orlando Haddad
Maria Regina Gomes e Sousa - Carlota Kemper
Murilo Mendes - Jacy de Souza Lima
Nelly Furbeta - Jorge Goulart
Paulo Adolfo Machado Lages - Murilo Mendes
Paulo Expedito Rodarte - Rubens Alves
Pedro Coimbra Pádua - José Luiz de Mesquita
Terezinha de Lourdes Rezende - Monteiro Lobato
Vanda Faria de Paula Lima - Catulo da Paixão Cearense
Zenita Cunha Guenther - Helena Antipoff
Copyrigth- setembro- 2002 - by Sebastião Naves
José Alves de Andrade
Capa: Luiz Alberto Soares
Editoração: Celeida Mara Tubertini Maciel - Marlon Hudson de Lima
Revisão: Eugênio Pacelli de Oliveira
Impressão: Gráfica da UFLA.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta edição pode ser utilizada ou reproduzida – em qualquer meio ou forma, seja mecânico ou eletrônico, fotocópia, gravação etc. sem autorização escrita ou prévia dos autores.
Dedicamos esta obra ao Criador de tudo e de todos, à memória dos que já partiram, às pessoas que amamos e que nos amam, às mulheres, criaturas delicadas, maravilhosas, inspiradoras e responsáveis por todas as conquistas humanas, aos lugares, ao amor, às pessoas que sabem amar... amando.
Os autores.
Nossos agradecimentos à vida, a todos que nos incentivaram a escrever este livro, pois, com certeza, ele tem no seu interior uma filigrana das fantasias, dos amores, das ilusões e frustrações dos sentimentos ocultos de cada um.
Os autores.
Encantaram-me os poemas que nele se encontram os quais devem ser lidos e relidos por quem aprecia obra literária.
Feliz foi o poeta Sebastião Naves em diversos poemas.
Seus versos são de amor, de ternura, de saudade, de dúvida, de angústia e de desilusão.
Eis alguns: "FAZER PRA QUÊ"
{Quando desiste de fazer uma canção}
" Mas...
fazer e fazer pra quê
se sou um grande fracasso
se não tenho mais o seu abraço
se não tenho mais VOCÊ!
SÓ NÓS DOIS
"E por toda parte
Para aonde vou
Em todo lugar onde estou
Tenho você, minha querida,
Comigo escondida.
Tenho você no coração".
Aparece o Poeta José Alves. Fala também de amor e de desilusão. E se assim não fosse, não teria sentimento, não poderia poetar.
Em FRAGMENTOS, diz ele:
"Nos escombros de um ser
Explodido pela desilusão
Restam ainda fragmentos
Que regeneram
E que fazem renascer
Uma nova vida".
.......
A vida é mesmo assim
Surpreendente.
Dá sempre uma nova oportunidade
Para se encontrar
A felicidade".
Pensa o poeta José Alves na imortalidade:
"Pode-se matar o homem
Da forma que quiser.
Ele é um ser racional
Mas não se pode matar
Nunca
Jamais
Sua esperança...
Seu sonho...
Suas idéias...
Seu ideal.
E José Alves continua a filosofar:
O QUE SERIA ?
"De uma vida sem outra vida
De um corpo sem alma
De um coração sem amor
De uma mente sem pensamentos".
Sublime é UMA DECLARAÇÃO DE AMOR
Amor ecológico
E pensando nas mães:
MÃE
"Ausente ou presente
lavrense, mineira, estrangeira
Você é maravilhosa".
Não posso referir-me a todos os poemas, porque assim fugiria à minha missão.
Tenho também de dizer algo sobre os poetas filhos de José Alves:
André Gustavo Pereira de Andrade, físico, com os poemas DE VERBOS...(Um esboço sobre as ações humanas) ações humanas) e O SILENCIO, e José Renato Pereira de Andrade, advogado, com os poemas BRISA E DESPERTAR, mostram a todos a sua inteligência e a sua sensibilidade.
Enriquecida está a literatura brasileira com este livro de poesia, pois esta, como já se disse, "é, em verdade, eterna como o mundo".
Wilson de Oliveira
(O professor Wilson de Oliveira é Membro do Conselho Superior da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, Doutor em Direito Civil, professor aposentado da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, tem publicado seis livros de direito e cinco de poesia).
FALTA MUITO?
A você, amigo ou amiga, que teve hoje a gentileza de adquirir este livro, que contém algumas poesias minhas, eu desejo que aprecie ou mesmo goste do que nele escrevi, porque é a sua avaliação que vai me dizer, de modo muito especial, o quanto ainda pode estar faltando para que eu possa me sentir bem perto de ser também.... POETA!
S. Naves
Ele é o resto
de um resto humano
que em surdina e solidão
inquieto e desolado
ainda bate no coração
E ainda fervente
de amor e de desejos,
cheio de leveza de renda
e de lembranças de beijos
está só na quietude
da noite
E conversa muito
com a saudade.
É o poeta enamorado
que vai bebendo
em taça franjada de ouro
o restinho do vinho
dos seus sonhos.
E cheio de vazio
e de verde paixão,
comovido, teme embriagar-se
com a desilusão
funda, profunda
e desoladora...
E cala e chora
um choro doído...
E dorme e vai sonhar
mais, como sempre.
Como sempre, PARA NADA!
CASTELO VAZIO
Ele tem tanto tédio
que tem hora que para ele
até o tempo
para de passar
de tédio também.
E... nota, às vezes,
que a areia de sua vida
está passando muito depressa
para a ampulheta da morte.
E solitário na vida
está já ensaiando, parece,
para a solidão sem fim.
Ele sabe que a vida
nunca mais
lhe vai dar de volta
os mesmos sonhos
bonitos que viraram
FUMAÇA!
E ela, a sua amada, apesar de tudo, continua sendo o resto
da sua alegria de viver!
Seu coração é quase
um castelo vazio.
quase também
Uma festa que parou.
Quando está com ela
sorridente e mansa
fica querendo que o dia
pare de passar.
Quando acontece abraçá-la
sente um “que” de flor
com raro perfume
que só ele sabe a fragrância.
Ela ainda lhe transmite poesia e ternura.
E ele quer o seu amor
mesmo que seja em “conta gotas”!
ou em sonho fantasia!
POETA
O tempo
não existe
para a alma
do poeta.
Ele vive
o tempo todo
querendo renovar
o brilho das estrelas.
E... coitado...
Vai morrer querendo!
SOLIDÃO
Inquieto de coração,
dominado pela emoção,
ele tem raiva da distância
e da saudade
que o invade.
Alguém acabou
com a sua paz!
E sentindo o vento frio,
fica ainda mais inquieto
nesse vazio
que alguém o deixou
que sua alegria matou
e o encheu de solidão!
Agora ele sabe
que alguém matou
o seu coração
e que longe
muito longe
o enterrou!
FAZER PRA QUÊ!
Posso fazer uma oração
uma poesia
uma confissão
uma fantasia.
Posso fazer uma canção
um contato
uma abstração
um contrato.
Mas...
fazer e fazer pra quê,
se sou um grande fracasso
se não tenho mais o seu abraço
se não tenho mais VOCÊ!...
SAUDADE
Meio incoerência
certo e incerto
meio abandono
meio solidão...
Sensação!
sensação de magia
de euforia
de confusão.
Sou um eterno
livro de infância
de dias de alegrias
de aventuras de travessuras
e... de TERNURAS.!
Sou um pouco angústia.
Sou muito também
aquela sensação
que gente sente
de estar morrendo
de saudade
de alguém
que está sempre
junto da gente!
CONSOLO
Teu beijo de amor
que, parece,
nunca mais provarei
e que nem sei mais
o gosto que tem.
Você nem imagina
meu bem
o quanto com ele
já sonhei.
E... não vou parar
de sonhar!
UM SONHADOR
Não sou
nunca vi
e nem sei
se serei...
O que sei
o que estou sabendo
é que vou continuar
sempre assim:
sempre sendo...
CIRCO
Às vezes penso
em desembarcar
dos meus sonhos
mais bonitos
só pra sair
de vez
deste circo!
...Deste circo
dos aflitos!
AZAR
Ah!
se
eu
planto
sonhos
só colho
quimeras.
E...
se busco carinho
só encontro feras!
UMA ESMOLA
Para que não dilua
a névoa dos meus sonhos
mais bonitos
e não desapareça
o encanto
das minhas fantasias,
preciso, demais,
que apareça alguém
para me dar
uma esmola
de ilusão
e de fantasia!
Nem precisa
ser amor!
PROCURA
Temos todos
o direito
de buscar felicidade.
Não importam
as amarras
e...
muito menos
a idade.
Mas eu...
procurar agora
pra quê?
RECEIO
Tenho sempre
ímpetos
de arrancar
daquela roseira
aquela
rosa
rubra.
Mas...
receio
que seus espinhos
me firam a mão
e o coração.
Então... então...
o melhor mesmo
e esquecer
aquela linda
ROSA RUBRA!
SÓ NÓS DOIS
Ficar imaginando
nem é preciso
o quanto é complicado
o coração.
Às vezes ele parece
ter juízo
outras vezes
parece que não.
Mas não importa
nem um pouquinho
o que aconteça agora
ou depois,
desde que com você
eu esteja juntinho!
- Você e eu - só nós dois!
Que a você
eu devo esquecer
você quase me fala
quase me diz.
Mas eu não tenho
como escolher
entre amar você
ou ser infeliz.
Pois perdido ainda
de amor intenso
nem penso
no agora
nem no depois.
Só penso
num amor imenso:
- Você e eu - só nós dois!
E resisto e reajo e sonho!
Sonho com você me sorrindo
e ponho nesse sonho então
todo o encanto tamanho
de ter na minha a sua mão.
E faço assim
deste quarto, pois,
o quarto mais alegre
e lindo
tendo nele você linda
me sorrindo
e o mundo se resumindo
em você e eu - só nós dois!
Ah!, o silêncio
do meu quarto triste
a frieza de tudo
que nele existe
e que só tédio
e solidão me dá.
Consola-me porém
ficar pensando
que ainda tenho você
e somos dois!
E fico então
doido fantasiando
que tudo agora somos nós:
Você e eu - só nós dois!
E por toda a parte
para aonde vou
em todo lugar onde estou
tenho você minha querida
comigo escondida...
- Tenho você no coração!
E a minha solidão
de todo dia
não fica tão solitária
assim
porque por todo lado
que ela espia
vê você perto de mim.
Afinal, sou eu e você
e somos dois.
E o mundo...
Ah, meu bem... pra mim
o mundo
é você e eu - só nós dois!
TORTURA
Com o desejo
de tê-la
eu me torturo.
Na ânsia
de possuí-la
eu me acorrento.
E...
se na ânsia-desejo
eu me amarguro,
como suportar
esse tormento?
ME DEIXA SONHAR
Sei que não posso
forçar
que me abra
o seu coração.
Só que
não posso esperar
por um aceno
da tua mão!
Já esperei
mais do que podia
já sofri mais
do que agüento
já escondi
mais do que devia
esse amor
quase tormento.
Mas fazer o quê
meu amor
se você não quer
me querer?
Sofre calado
a minha dor
e meu amor
esconder?
Posso fazer isto
sofrendo
e até fingir
que sou feliz.
Mas estará sempre
sabendo
que estou
muito infeliz.
Descubra então
por favor
um jeito
um jeito qualquer
de tornar
meu doido amor
o menos triste
que puder...
É impossível para você?
Se for
me vai custar entender.
Mas ah! Como eu seria
feliz
se nos meus braços
a pudesse ter
toda amante
toda amada
assim como sempre
a quis.
Mas... não!
Não diga nada não.
Me deixa assim
na ilusão.
Porque é melhor
continuar
sonhando
com a esperança
de outra vez te ter
do que ter
de ficar
chorando
se de todo
te perder!
PODE ME DEIXAR
Eu a amo muito.
Uma vez mais confesso.
Você já sabe
e nem quer que eu repita.
Você é e sabe disso,
o amor que professo
Você é minha paixão
doida e bonita.
Mas meu amor,
não sei se mereço
que você fique assim
com medo e aflita.
Não tenho esse direito
eu reconheço.
Mas calar como,
esse amor que alto grita?
Pode me deixar!
Fico triste e mudo.
Mas você não vai
sair da minha vida.
Dela fará parte
apesar de tudo.
Me esqueça!
Pode me deixar sozinho.
Mas saiba
que minh’alma dolorida
vai sempre
por versos no seu
caminho!
O BEIJO
Pensando em você
eu sigo caminhando
esperando
um dia
o seu beijo ganhar.
Mas os dias passam
e eu vou esperando
porque afinal
só me resta esperar...
Ah, ilusão,
minha traiçoeira
companheira
que me alenta
o coração;
Eu juro que te daria
em troca desse beijo
que tanto, tanto, desejo
todo o amor que nunca escondi
todas as lembranças
que sempre guardei
todos os versos que escrevi
e todos os sonhos que sonhei!
mas...
por preço nenhum
ilusão
eu te daria
um instante sequer
e nem ao menos
um lampejo
do sensual
e carinhoso beijo
que desesperadamente
desejo
desse meu tormento
de mulher!
MORTAL VENENO
Aprendi
e não mais esqueci
a mensagem
quente da sua boca
e a linguagem
macia e morna
das suas pernas
- que deixavam as minhas
uma como louca
e as outras
tontas e frementes!
... E querendo
e implorando todas
o calor das suas
para juntas
roçar
o mais profundo
interior do seu mundo
e acordar nele
o cantinho fértil
onde dormita a semente
excitante que ainda
existe em você!
...E estou sempre esperando
com volúpia e carinho
que os seus seios
vibrantes livres e lindos
saltem do seu peito
e de modo perfeito
rocem doidamente
o meu corpo
e me carreguem
para junto da lua
me deitem em douradas nuvens
e me mostrem outros sóis
e desconhecidas estrelas!
Depois...
depois posso beber
sereno
numa taça de cristal
bem cheinha
todo o seu mortal
veneno!
VAZIO
Vivo afogado
no imenso vazio
da sua quase
total ausência.
E tudo que me rodeia
nada mais é
do que uma farandula
de figuras
e de sons
que fazem
do meu NADA
apenas um tédio
imenso, e, às vezes
um desespero
estranhamente
dolorido.
PRA QUÊ!
Posso fazer uma oração
uma poesia
uma confissão
uma fantasia.
Posso fazer uma canção
um contrato
uma abstração
um pacto.
Mas fazer e fazer
pra quê,
se sou um grande fracasso
se não tenho mais
o amor do seu abraço
se não tenho mais você!
E inquieto de coração,
dominado pela emoção,
tenho raiva da distância
e da saudade
que me invade.
Alguém acabou
com a minha alegria
e com a minha paz!
E sentindo o vento frio
fico ainda mais inquieto
nesse vazio
que me ficou
que minha defesa matou
e me encheu o coração
de solidão.
Ah! Agora eu sei meu coração!
Alguém o abandonou
ou então
o esqueceu
e nunca mais o procurou!
SONHADOR
O tempo não existe
para a alma do poeta.
Ele vive o tempo todo
querendo renovar
o brilho das estrelas...
E... coitado!
Vai morrer querendo!
FILOSOFANDO
A cada dia que passa
me prendo mais
a minha vida de monge
do Bem-Te-Vi,
sossegado retiro
de silêncio e meditação.
Medito muito
e muito
a respeito
da coisa nenhuma
de TUDO!
QUE PENA
Na solidão
converso muito
comigo mesmo.
E o eu de agora
E o eu de ontem
Soluçam juntos
Uma bela saudade do passado.
Outro pela cinzenta
Realidade do presente
Que escurece mais
A cada dia que passa.
E nenhum pensa mais
no futuro.
E isto é desolador!
Que pena!
SEPULTAMENTO
Vou sepultar no Bosque tudo o que é passado,
Vou cobrir de espinhos as lembranças das rosas.
- Já não posso mais ir ao jardim perfumado
ver aquelas roseiras floridas e viçosas
nas quais ele sempre colhia com cuidado
uma rosa já fria, mais linda e cheirosa.
Ah!... e ter de esquecer aquelas mãos pequenas
que segurei muitas vezes em horas mansas!
E por que meu Deus, bastou um desengano apenas
para matar tantas e tantas esperanças?...
A NOITE
A noite
é sempre um mistério.
Mistério que mexe comigo
provoca meus anseios
e é um castigo
que me tira do sério.
A noite
é também inspiração
é frio
é calor
é confronto.
A noite
tem um "quê" difuso
que me deixa confuso,
meio tonto
e sem ponto
de encontro.
Quantas vezes me perco
olhando o céu
coberto com um véu
feito de estrelas!
E... vou vagueando na lua
e no vazio da rua
perdido, extasiado
e a voz muda!
Quantas vezes!
Até perdi a conta...
A noite
provoca os meus sonhos
e os meus pensamentos.
E os Deuses noturnos
em silêncio
acordam os meus tormentos,
acendem uma chama
e a minha alma se inflama.
Agitam também meu coração
consomem a minha calma
e acabam com minha paz!
A noite
me faz perder os sentidos,
perder a noção de perigo
perder a quietação
perder o medo e a razão!
A noite
é para mim
um grande mistério!
Mas...
é também sedução
é magia
é emoção e é...Poesia!
QUERIA
Queria que a noite
não chegasse
tão cheia de saudade assim!
Queria que seus pensamentos
nem que fosse só
por alguns momentos
chegassem bem perto de mim.
Queria que minhas palavras
não se perdessem no vento.
Queria poder parar o tempo
só o tempo suficiente
para que fortemente
eu pudesse abraçar
e beijar
você!
Queria mesmo
que o tempo parasse
e que só andasse
quando eu o chamasse.
Queria também
que num instante
minha imagem
os seus olhos invadisse
para que no seu mundo
outra vez eu surgisse
e passasse a fazer
parte dele.
E... que seu coração
Lá bem no fundo dele
Ficasse querendo
Que eu voltasse correndo.
Mas tudo isto
Eu sei
É só QUERIA
Por que... Sei lá porque ?!
Só sei é que a noite vai
E que vem o dia
e eu não esqueço você.
Só me resta então
Consolar-me com a Lua
às estrelas
pedir proteção
E...
vagar perdido na rua
cheio de ansiedade
e de aflição
por viver pensando
-e até chorando-
que já fui
expulso
do seu
CORAÇÃO
MAS...
Você é para mim ainda
um céu azul
uma brisa suave
um sorriso iluminado
uma noite de lua cheia
uma constelação de estrelas.
O algo de misterioso
que a envolve agora
impressiona demais
a minha imaginação
ocupa todo o meu pensamento
e me faz escravo seu.
A sua presença enfim
me embevece
me inebria e
me entontece ainda.
A saudade que me fica de você
quando você se vai
continua dando encanto
à minha vida estimula
os meus sonhos
e o meu desejo de continuar
vivendo à espera
de outras horas de encantamento
e magia junto de você.
Você é para mim
enfim
um vergel florido
e perfumado,
soberbo e refulgente
de beleza que enche
de esperança o meu amanhã.
Que, afinal não vai ser
muito mais
que os meus ais
à espera de outro amanhecer
que me vai trazer mais um dia.
Mais um dia
que vai ser como sempre
cheio de doidas esperanças
de sentir ainda
num momento qualquer
como se fosse a realização
do meu mais lindo sonho:
um pouquinho
do seu calor
um pouquinho
do seu carinho
e um pouquinho
do seu amor!
Mas...
Eu...
embarcação
de velas rotas
à deriva
carregado de bonitas
lembranças
que estão fenecendo
que estão desaparecendo,
indo mar a fora
sem horizontes
e sem nenhuma esperança
de encontrar
um porto seguro
para ancorar.
Então ao léu, no mar,
sem rumo e sem destino,
só me vai restar
esperar
que de dentro
da minha esperança
iludida, tementida
e dos meus sonhos distantes
que foram meras quimeras
num breve e eterno instante
chegue turbulento
um forte e cortante vento
para levar
rumo ao desconhecido
e para nunca mais,
o que de mim
muito pouco restar!
E depois?
Ah! Sim...
Depois, depois...
Depois não tem
mais nada!
FOI O FIM!
AH! OS MEUS OLHOS!
Olhos que olham dia
que olham a noite
que tudo enxergam
com os mesmos desejos.
Olhos que esperam beijos
que brincam com as paisagens
e com as imagens.
Olhos cansados
de olhar estrelas
de olhar a lua
de olhar a rua...
Olhos cheios de dor
cheios de amor
e de estranha mistura
de alegria
de tristeza
e de fantasia.
Olhos que todo dia
vagam e divagam
quase mortos de saudades,
de ansiedade
e de esperanças
que nunca chegam!
Ah! Esses meus olhos!
Esses doidos olhos meus
que agora em desespero
e tão inquietos
estão querendo os teus
cada vez mais lindos
e cada vez mais perto!
Coitado dos meus olhos!
RUÍNA
Os meus pensamentos
já estão
com jeito
de extinção.
A impressão
que tenho agora
é que estou
cheio de abandonos
por dentro
e por fora.
Acho que não vai demorar
- e não adianta chorar -
para que eu
só amanheça
quando a noite chegar...
...Não aspiro mais nada
não espero coisa nenhuma
só suspiro desesperança!
Sinto que sou apenas
uma ruína
ou um vazio imenso!
É ISSO AÍ, BICHO!
Ele, o safado
cara de pau
é o tipo típico
do come quieto
do corta curto.
E quando
dá o ar da graça
é de topete em pé
é de sangue frio
é de boca cheia
é cuspindo longe.
Gosto dum bate papo
dum peito de vaca
dum rapa pé
e dum forrobodó.
Mas
tretô-relô
o pé de valsa
não cochila
e sai no tapa
no pontapé
no bate-pronto
e no que mais der!
E...
é um tempo quente
um Deus nos acuda!
É um corre-corre
que Deus me livre!
Caramba sô!
VAI FALANDO
Fala, não cala.
Fala, fala palavras
sem pensar
no que vai falar.
Vai falando,
falando, sem pensar
no que fala.
Fala, fala conexa
ou desconexa
mas fala!
Fala verdade,
fala mentira,
fala apenas fala
mas fala.
Fala, vai falando
parado ou andando.
Mas não cala!
Fala, fala e fala!
Fala bobagem,
fala besteira,
fala asneira
mas fala.
Não cala.
Fala, fala e fala.
Faça falando assim
como estou escrevendo.
Mas... Se você não
Está afim,
Pode me xingar!
Compreendo!
É SÓ ISTO SIM!
Essa relação afetuosa
que há entre nós dois
é para mim muito prazerosa
e encantadora.
Ela suaviza sim
a saudade de tudo
que ainda tenho
dentro de mim
e que tenho medo
de perder.
É uma relação gostosa
que desejo fosse mais íntima.
Ela é o calmante
para as minhas inquietações
é uma deliciosa ocupação
para o meu pensamento.
É para a minha vida
o alimento.
Essa relação de bem querer
é o lenitivo da minha solidão
e é o que ainda faz bater
o meu cansado coração.
Portanto...
me deixa continuar
me enganando.
Vê se não mata
o que me resta
de ilusão.
Finge, finge
que gosta de mim...
é só isto
é só isto sim!
VOCÊ!
Pensar em você
faz o enlevo
das minhas noites
de insônia
e de melancolia.
Você para mim
tem o encanto
e a magia
de um ninho
de passarinho.
Você tem uma estranha
originalidade cativante
que vive enclausurada
no oco do meu coração.
De você sai uma refulgência
especial, como se fosse um raro
diamante a reluzir.
Você me faz
perder o sentido
do que seja aventura,
fantasia ou realidade.
E isto é poesia!
Pois vivo tecendo
fantasia
para suportar
sem você
a minha vida vazia!
COM FUSÃO
Eis aí o seu deleite
uma “profunda” e mega poesia
que você tanto aprecia
para que você aceite
ou rejeite.
É feita de pluma
e de perfumada espuma
com enfeite
de verde musgo
que rebrilha
e com sabor
de salsa
ou de salsaparilha.
É poesia com jeito
de amor desfeito
de amor vincado
passado a limpo
e para ser depois dobrado
para ser esquecido
e abandonado.
Enfim uma nova
e nívea poética,
cheia de velozes zéfiros
e de estóica estética
com enfeites de pasmos,
de lindos virentes
e de dolentes espasmos!
O pobre vate
que acabara de escapar
dum enfarte
sem querer
e sem saber
foi enfeitando todo
de escuros e pesados tons,
bebendo ou sorvendo
sozinho ou só
a frieza da dura amargura
de tanta tristeza
de um jeito de causar dó!
E por isto então
e lembrando-se de você
que tem n’alma uma liba
e que com versos defira,
ele com a maior alegria
dedica a você
esta quase Pó e Sai.
Que então agora
você coração
cheio de emoção
de bondade
e de piedade
delire
e dê lírios brancos
de amor tecidos
a vate que desolado
tudo e tanto verteu
calado, quieto
e cheio de medo.
Mas desolado ele indaga:
E para quê?
E concluiu sem alegria
e com melancolia
que tudo foi para
coisa nenhuma...
Coisa nenhuma
que afinal
é em suma
o TODO DE TUDO
somado!
Ô coitado...
INQUIETUDE
Ao olhar o céu à noite
- noite bela
e cheia de estrelas,
sinto a cada momento
um frio vento
brincando com meus cabelos.
E, só então percebo a inquietação
que à noite me traz.
E inquieto fico
de corpo e alma
sob a luz
da lua calma
dominado
e assustado
com o tempo que passou
e que quase tudo levou!
Alguém com certeza
roubou a minha paz!
E olhando a rua
deserta e nua
quase não suporto mais
a inquietação,
a desolação,
que me traz
a solidão!
E quase em oração
e com aflição
peço murmurando
e soluçando:
Agüente mais um pouco
velho e cansado coração!
Só um pouquinho mais!...
ETÉREA VISÃO
Agora
só tenho etérea visão
de saudades e de sonhos...
no meu coração cansado
o passado
que era tudo
está morto,
está mudo!
Tudo passou
tudo acabou.
E dolorosamente
tenho de concluir
que do palco
preciso mesmo sair.
Tenho de sair
porque percebi
que não adianta
coisa nenhuma
continuar
ou ficar
esgrimindo
nem acordado
nem dormindo
contra o anárquico
e o isofórmico
que domina este mundo
imundo,
no qual impera
e nos desespera
os temperamentos
pendulares nojentos,
anárquicos,
paroquixicos
e maquiavélicos.
Percebe-se já por toda parte
um sujo fogo triádico
de níveis terríveis, infernais
que não se imaginava
pudesse haver jamais!
Há por toda parte
por todo canto
para o nosso desencanto
uma nova epigenese mental
tão sutil, subjetiva e infernal
tão extremamente entrópica
que destrói ou mata
todas as crenças nas atividades
reflexivas, mesmo exóticas
que asfixiam as tendências
para as aventuras antropológicas
e filogenéticas
de dimensão social e cósmica.
E... as tendências
de tentativas e de atividades
neológicas, no rumo
de um processo cognitivo
ficam estereotipadas
e se tornam uma espécie
de confrontação dialética
um processo neurorístico
sem estética,
incognoscente
e... até inconveniente.
Enfim, um processo
de endoculturação
que queiramos ou não
vai urdindo
de forma constante
e avassalante
fluxogramas tão instrumentalizados
tão cosmicamente evoluídos
e anarquizados
que fossilizam
a cosmo-visão
de tal forma que tristemente
coitados,
vamos recebendo indiferentes
violentos socos no nariz
e lindas cusparadas no carão!
Que coisa amigão!
Tem jeito não?
INSTANTES
Por alguns “instantes”
vivi uma história perfeita
feita por suas mãos
por seus gestos
por seu coração
por seu amor
por seu calor
por seu sorriso
por seu carinho.
Você colocou o chão
sob os meus pés
me protegeu das tormentas
e acabou com minha solidão.
Com você acabaram
as minhas fantasias
porque você ficou sendo
a minha poesia
feita e perfeita.
Aprendi com o seu mundo,
cresci com o seu carinho,
encontrei o meu caminho
e enchi de paz a minha alma.
Por alguns instantes
fui o seu sol
o seu príncipe
o seu par
o seu altar.
Mas os “instantes”
passaram velozes demais!
E eu fiquei só outra vez!...
E... agora é consolar!
Ninguém me mandou sonhar.
Então agora é mesmo me consolar
e parar
de rir,
de sonhar
de chorar!
Tudo até parece
só foi instantes!
ADEUS ANO VELHO
No dia em que você se vai deste mundo para nunca mais voltar; no dia em que você é banido e se vai injuriado e debaixo de apupos dos ingratos que desejaram e que agora festejam a sua morte e o seu sepultamento, eu quero, meu velho amigo, que compreensivo e paciente compartilhou das minhas dores e das minhas insônias, que discreto partilhou das minhas alegrias e dos meus triunfos, eu quero, repito, nesse dia em que você se vê abandonado, ao estender-lhe a minha mão amiga, num gesto de carinho e de solidariedade, dizer-lhe que não estou pensando da mesma forma que essa gente ingrata que a noite da sua morte, por toda parte, está pelas ruas, pelos salões de festas, pelos bares ou em casa, festejando com foguetes e champanha o seu desaparecimento, esquecida de que você, no mínimo, conservou-lhe a vida.
Eu, ao contrário, meu companheiro de 365 dias de incertezas e de medo do amanhã, estou triste e lamentando a nossa separação. E quero que você saiba, desprezado companheiro, que agora, quando você está partindo para sempre e para nunca mais, que enquanto eu aqui estiver, vou sentir saudades de você. E saiba também meu amigo 2001 que não vou dar “vivas” ao que o expulsa e lhe toma o lugar. Afinal, eu nem posso saber se ele vai querer conviver comigo... Ele pode até querer me matar!
De uma coisa, porém, eu e você podemos estar certos: ele também vai morrer no fim do ano e os homens, hoje ingratos com você, serão também ingratos com ele. Não se aborreça, portanto, amigo velho. Os homens são assim mesmo... Vá com a certeza de que pelo menos eu fiquei pensando em você. Vá e não olhe para traz. Adeus!
NOSSA RÁDIO 66
Que alegria
Você ouviu?!
kalifa.
Você ouviu?!
Você ouviu?!
Você ouviu esta noite a Rádio de Lavras? Sim, era isto o que todo mundo perguntava uns aos outros no dia seguinte ao da primeira irradiação experimental. – Eu ouvi da meia noite até às 3, dizia um. – Eu peguei só até às 2, comentava outro. – E eu levantei de madrugada para escutar! Falava outro triunfalmente! E todos escutamos e todos fazíamos questão de manifestar! E em todos notava-se uma grande satisfação, muita alegria! Estávamos – como diria o Eça – babando, lambuzados de contentamento com o excepcional acontecimento. Eça, pra nós, não era para menos, pois diacho, não é que a gente ficou mesmo arrebatado de contente quando o Cidão anunciou: “Estão ouvindo a Rádio Cultura D’Oeste, diretamente dos seus estúdios, à Rua Rio Branco 299, na cidade de Lavras, Estado de Minas Gerais!” Sim, senhor! O orgulhozinho regional da gente se arrebitou todo! A gente ficou envaidecido mesmo! Então saber que em nossa cidade há uma emissora, não é lá qualquer coisa de formidável? É sim! Ora essa!
É importante! Dá imponência! Faz inveja!
E... quando a gente deixa de brincadeira e olha o Rádio por um prisma mais objetivo, quando atentamos para as suas verdadeiras finalidades, quando pensamos na infinidade e na variedade de benefícios que o Rádio oferece à coletividade, quando pensamos em tudo isto, então... então... é mesmo para entusiasmar! Porque... ter uma Estação de Rádio!... “sabe lá o que é isto!”
CARO AMIGO(A).
Nascemos por amor
Por amor vivemos
Existimos por amor
Por amor morremos.
Ame... ame... continue amando sempre.
José Alves de Andrade
O CANTO
Neste pequeno canto
De tantos encantos
Cintilam palavras de significados mil
Arquitetam sonhos
Espalham detalhes
Trazem saudade
Renovam esperanças
Revivem felicidade
Para enfeitar os recantos deste canto.
Sua porta de entrada
É emoldurada por pura imaginação.
Seu interior
Recoberto de talentos e sentimentos do coração.
É um canto acolhedor.
Lugar íntimo, elegante, cheio de graça
Onde a inspiração faz,
Em um outro canto, quase esquecido,
A poesia nascer e florescer.
Com meu canto sem pranto
Ocupo um dos cantos
Deste pequeno canto
Cubro de fantasia
O que vejo, o que sinto, o que escrevo
Por rima, métrica e poesia.
OPORTUNIDADE
Nesse silêncio interior
Vivo meu próprio isolamento espiritual.
Sua ausência
Envolve-me num manto de solidão
Faz-me sentir a presença do vazio
E o desalento no coração.
Entre tantas pessoas
Sinto-me um exilado
Um ser infinitamente solitário
Com pensamentos e sentimentos
Repletos de imaginação.
Sua lembrança me acompanha
Vejo você
Sinto uma sensação excitante que me fascina
Meu coração acelera-se
Meus olhos iluminam-se
Minha boca emudece
Minha alma alegra-se
Não há como ficar insensível diante de tamanha beleza.
Seu poder de sedução
Maravilha-me
Estou radiante.
Por vezes
Murmuro suas palavras de recusa
Mas
Vejo em seu rosto
Uma luz refletindo o contrário do que diz
Vejo receio de quem quer amar
E tem medo de fazê-lo pelo que passou.
Vejo delicadeza, ternura, paixão
Vejo uma fonte inesgotável de amor a jorrar
Fazendo florescer num coração solitário
A felicidade.
Não censuro
A vida e as pessoas
São mesmo cheias de mistérios, de enigmas, de sonhos
Desvendá-los
É nossa busca para encontrar a felicidade.
Nesse tempo sem fim
Não vejo distância
Não vejo impedimento a nos separar
Sinto apenas no coração
Uma oportunidade para amar.
LINHA DIVISÓRIA
Vivemos sobre uma linha
na fuga do seu traçado
a consciência nos censura
a sociedade nos cobra.
Os extremos estão fixados
de um lado
a vida
do outro
a morte
o bem
o mal
o certo
o errado
o amor
o ódio.
O livre arbítrio
é nosso juízo de razão
fazer ou não fazer
depende de nós.
Entre extremos
limites
sob conflitos
alternância de
atos, pensamentos,
acertos e erros
vivemos nossa vida
sobre a linha divisória
atrás dos sonhos que acalentamos.
SEGREDO
Penso
Penso mil coisas
Viajo
Construo sonhos
Vejo o inatingível e,
Como que por encanto,
Ali está você
Falo-lhe da vida
De amor
Falo-lhe de você para você
Tocando-lhe
Acariciando
Beijando
Amando
Curtindo-lhe
Sem impedimento
Sem limite
Sem medo
Na imaginação
Que viaja na ilusão
E que me faz feliz
Vivendo você
Em silêncio
No segredo
Da mente.
Nos escombros de um ser
Explodido pela desilusão
Restam ainda fragmentos
Que regeneram
E fazem renascer
Uma nova vida.
Vão-se as tristezas,
os desencontros
Vem o esquecimento
E, de repente,
Chega você.
É retorno
É recomeço.
É extraordinário
Sentir novamente
As delícias do viver
Os sonhos recônditos
Os projetos de ventura
A vida é mesmo assim...
Surpreendente.
Dá sempre uma nova oportunidade
Para se encontrar a felicidade.
MINHA PEQUENA
Vale a pena sonhar
Vale a pena te encontrar
Vale a pena contigo se encantar
Vale a pena conversar
Vale a pena te escutar
Vale a pena te falar
Vale a pena sorrir
Vale a pena chorar
Vale a pena em ti acreditar.
Tudo vale a pena.
Vale a pena te esperar
Vale a pena te visitar
Vale a pena te adorar
Tudo vale a pena.
Vale a pena viver
Vale a pena te ver
Vale a pena te querer
Vale a pena sentir prazer
Vale a pena não te esquecer
Vale a pena te dizer:
Na vida,
Como escreve o poeta
“Tudo vale a pena
Quando a alma não é pequena”.
ILUSÃO
Seduzido pelo seu olhar
Pelo seu sorriso
Pelo seu jeito de falar
Pelo seu jeito de andar
Vivo momentos de delírio
Devaneio
Mergulho-me em sonhos
E como magia
Você ali está.
Encantando-me a cada instante
Fazendo-me sentir
A felicidade
De repente
Como chuvas de verão
Como nuvens que se dissipam
Como a brisa que passa
Você se vai.
Seduzido por você
Continuo a sonhar.
SUAVIDADE
A suavidade
De seu olhar,
Do seu sorriso
Do seu toque
É como uma brisa
Em dia de verão
Tocando meu corpo
Tateando meu rosto
Embalando você
Dentro de meu coração.
Sua fala mansa
canta
Minha alma alcança
Aumenta a esperança
Que se agiganta
E se encanta.
Com você
Oh!
Minha Santa.
ESQUINA 777
Esquina dos encontros
de ruas e praças
de pessoas que se cruzam
do ontem com o hoje
do antes com o depois.
Esquina da imaginação
onde as musas se adornam
se enfeitam e se elegem
as mais belas.
Esquina das maquiagens e fragrâncias
das delícias
dos desejos, das vontades
dos sonhos e da vaidade feminina.
Esquina da inspiração
da sensualidade
do prazer
da descoberta
onde faz renascer nas mulheres
a alegria de viver.
DOUTOR
Venho fazer uma consulta.
Aparentemente nada sinto
Mas, internamente algo me molesta
Meu coração está doente
A pressão descompensada
E a temperatura em desequilíbrio.
Confesso.
Não sei o que é.
Faça um exame completo, doutor.
Use seu estetoscópio
Ausculte meu peito.
Com o aparelho veja a pressão
Aproveite, tire a temperatura
E, se necessário
Peça RX, exames laboratoriais e computadorizados.
Penso que meu mal
É causado pelo microorganismo da saudade
Que invadiu o meu coração
E nele se instalou
Parasitando-o
Não sei.
Diagnostique, doutor.
Seja certeiro e preciso
Minha vida depende do seu saber
Receite
Do receituário tomarei todos os medicamentos
Exceto, os resistentes como:
antibióticos, sulfas e antitérmicos
Que, acredito
São impotentes contra o meu mal.
Os sensíveis, sim.
Tomarei todos.
À noite
Uma dose de elixir do amor
Para ver entre as estrelas, uma especial...
Pela manhã
Uma colher de esperança
Para sentir em cada nascer do sol
Um novo amanhecer, um novo prazer
E, de hora em hora
Ou todas vezes que a dor se manifestar
Uma drágea de doces lembranças
Para
A saudade matar.
O IMORTAL
Pode-se matar a fome...
Pode-se matar a sede...
Pode-se matar uma vontade...
Pode-se matar uma saudade...
Pode-se até matar o homem
Que não há outro igual.
Mas não se pode matar
Sua esperança...
Seu sonho...
Suas idéias...
Seu ideal.
O homem é imortal:
Pela bandeira que ergue
Por seus atos
Por suas palavras
Por suas ações
Por seus pensamentos
Pelo que escreve
Por suas obras.
Pode-se até matar o homem
Da forma que quiser
Ele é um ser racional
Mas não se pode matar
Nunca
Jamais
Sua esperança...
Seu sonho...
Suas idéias...
Seu ideal.
PASSEIO
A noite estava linda
Na estrada
O carro corria quase a deriva
A música suave
Quebrava o silêncio
E entre um olhar e outro
Apenas o sorriso
Nenhuma palavra
A madrugada chegava de mansinho
Um querer sem saber
Faz o carro parar
A gente se aproximar
A se tocar
Emocionar
Acontecer
No horizonte, os primeiros raios de luz
Anunciam o amanhecer
Hora de se separar
O vazio apodera-se do momento
Vem a despedida
Com ela, a espera
De uma outra noite
Para se amar.
VOCÊ
Nos meandros da vida
Em um ponto qualquer
Valendo-se da graça e beleza que Deus lhe deu
Você ainda vive presente
Voando através do pensamento
Leve como plumas ao ar
Em busca de um campo de pouso
Revelando esperança, amor
Iluminando o trilhar de uma vida
Amando cada dia, cada noite e o tempo.
Cabelos encaracolados
Secos ou molhados
Esvoaçantes ao vento
Rosto moreno, queimado de sol
Narizinho arrebitado
Corpo esguio de andar elegante
Cabeça feita, corpo perfeito
Sem sentir, sem saber
Interfere na vida de alguém.
Nos meandros da vida
Em um ponto qualquer
Você chegou.
O QUE SERIA ?
De uma vida sem outra vida
De um corpo sem alma
De um coração sem amor
De uma mente sem pensamentos
O QUE SERIA ?
De um rio sem água
De um céu sem estrelas
De um rosto sem sorriso
De um tempo sem tempo
O QUE SERIA ?
Da visão sem os olhos
Das palavras sem a boca
Do som sem os ouvidos
Do abraço sem os braços
O QUE SERIA ?
De mim sem você ?
SERIA...
Solidão
Silêncio
Vazio
Seria nada
Seria só
Um corpo sem vida.
COMO ESQUECER
Você está presente
Na noite que chega
No dia que vai
Na aparência de universitária
Na meiguice de quem fala com suavidade
Na beleza da juventude
Na inteligência de quem é sábio
Na arte de ouvir, de participar
COMO ESQUECER
Se lembro seu jeito de ser
Se vejo seu andar de menina
Se guardo seu olhar
Se ouço sua voz
Se sinto seu calor
Se você está dentro de mim
Se sou seu prisioneiro
COMO ESQUECER
Tento
Mas é inútil
Você embaralhou minha cabeça
Confundiu meu coração
E agora
Não sei o que fazer
COMO ESQUECER ?
AUSÊNCIA
A distância
É prova
É teste
Viver longe é o mesmo que
Amar a lua sem tocá-la
Ver o infinito sem encontrá-lo
Falar de amor sem amar
O tempo não pára
A saudade aumenta
E você não está
Distância
Ausência
Espaço vazio
Procuro e não vejo
A não ser você
Dentro de mim.
DESPEDIDA
Despedimo-nos sempre
e cada vez
nosso ser é invadido por um vazio
por um sentimento de ausência
propiciando-nos saudade.
Não fomos e não estamos
preparados para despedidas
essas são sempre difíceis, doídas
machucam e deixam marcas
que só o tempo pode cicatrizar.
Sabemos
a cada momento partimos
retornar, certeza não temos
apenas aguardamos acontecer
porque nas despedidas paira sempre
a esperança da volta.
Mais uma vez está o tempo a nos comandar
bom, vamos nos despedir
até breve
nos encontraremos
pelos caminhos do mundo.
PASSAGEM
Viver é uma arte.
Viver é amar, é servir, é sofrer
É sentir as alegrias, as tristezas
É lutar, é ter uma razão para existir
É procurar encontrar o sentido da vida
E a morte vencer.
Morte
Mistério da vida
Enigma desconhecido
Gerador de pânico, de dor
Que um dia virá
Para o corpo descansar
E a matéria transformar
Enquanto isso
Viver, viver, viver
Satisfazer-se neste planeta encantador
Verdadeiro espetáculo cósmico
Obstáculos vencer
Chorar, sorrir
Bem querer.
A vida material que se ama em delírio
A que tanto se apegam
Se extinguirá
Deixando na terra
Sua herança genética
Levando para o criador
A grandeza infinita da eternidade
De repente
Como que num passe de mágica
Bem à frente de nossos olhos
Estava o lago dos encantos
Refletindo imagens alucinantes
Da natureza a nos inebriar.
Um visual lindo
De perto e de longe
Reproduzindo o real e o irreal
Tão bonito
Que imaginávamos
Não haver um outro igual.
Em harmonia com aquele
A beleza de seu corpo perfeito
A suavidade de seu rosto lindo
Sorrindo
Beleza a admirar
Olhos a brilhar
Boca a falar
Fazendo a gente se encantar
Com vontade de amar.
De volta, no caminho
Passagens entre ciprestes
E num cantinho escondido
Um ninho cor de rosa, aconchegante
A nos esperar
Para um sonho realizar.
Veio a noite
Na cidade
Cenas presenciou
Dores causou
O encanto levou
Lembranças deixou
Daquela tarde de quem tanto se emocionou, amou
No esplendor do Espelho D'Água
Daquele lindo lago do amor.
MANHÃ DE VERÃO
Silenciosamente,
Contemplava numa manhã de verão
À beira rio
Um remanso de águas calmas
Transformado em praia
Velado por paredões rochosos
E, ali, está você
A sorrir, a falar, a nadar.
Céu completamente azul
Sol a brilhar
Árvores tombadas
Seus galhos a água beijar
Vento a ventar
Seu corpo de formas perfeitas
Todo molhado
Estendido na areia
Estava a secar.
Admirando você
Naquela manhã de verão
Tomando banho de sol
Desejei abraçá-la, tocá-la
Mas, você, não sei porque
Sem nada dizer
Deixou-me apenas
Contemplar e admirá-la
Silenciosamente.
ADEUS
Ausência
Pensamentos perturbados
Coração partido
Mente e corpo em desarmonia.
Chorar para que
Quem ama não abandona
Não esquece
Não faz o outro sofrer
Se cuidar?
Qual a razão?
Se se perde o amor
Se se perde o sentido da vida
Se se sente só, abandonado.
O amor
Não se mata
Não se arranca do coração
Não se destrói com um adeus
Porque ele vive
E sua lembrança
É sua testemunha
Na saudade.
TELEFONE
Ouço o telefone tocar
Como de costume
Atendo.
Ecoa em meus ouvidos
O som de uma voz
Que há muito não ouvia.
Que alegria !
É você a falar
A recordar
E saudade matar.
Não dá para acreditar
Depois de tanto tempo
Depois de tanta ausência
O bom mesmo
É sentir sua presença
E ficar a lhe escutar.
Por anos
Seguimos caminhos diferentes
Construímos nossas vidas
Mas nunca ficamos distantes
Porque nossos pensamentos
Estiveram sempre presentes.
Neste lampejo
Voltar ao passado
Rever pessoas, lugares
É repetir, é reencontrar a felicidade
De um tempo que ficou guardado.
PASSEAR
Passear é sair por aí, olhar
Respirar ares diferentes
Estontear-se com as paisagens
Sem ter nenhuma vontade de voltar.
Passear é sentir emoção
É embriagar-se com tudo
Sonhar, acordar
É ouvir a voz do coração.
Passear é notar o tempo passar
Ver você sorrir,
Ouvir você falar
Sentir o seu tocar
E o tempo não poder segurar.
A estrada é nosso destino
A velocidade, nossa companheira
As fantasias, nossos desejos
A felicidade nossa busca .
Chegando ao Sítio Bem-Te-Vi
Recanto do poeta
Fascina-nos a beleza do lugar.
É a natureza a nos falar
São árvores, arbustos, flores coloridas
Lago, piscina, quadra de esporte, pomar
Pássaros a voar
Bem-te-vi a cantar.
Na varanda
Ouvindo a voz do vento
Vivendo um tempo que é só seu
Está você todo sorridente.
Lembranças chegam
Saudades afloram
Coração se alegra
Olhos brilham.
É o tempo presente
Dentro do tempo, tempo
Anunciando você
Cheio de vida
Repleto de boas recordações
Você, poeta,
Emociona a todos
Toca a sensibilidade das pessoas
Faz com que elas se sintam felizes.
Você é muito gente
Amigo e companheiro.
AMOR PROIBIDO
A cada momento meus olhos buscam os seus
A cada instante vejo seu sorriso, no meu
A cada segundo vivo a encontrar
Sua vida, na minha
Meu corpo, no seu
A se completar.
Seus olhos brilham
Refletem a vida
Falam de você
Da sua intimidade.
O brilho deles é como o brilho do sol
Representa vida
Sem este não há como viver
A vida fica sem vida.
Seu corpo é uma linda escultura
De formas delineadas
Delicado, de cútis macia, aveludada
Esculpida pelas mãos do Senhor
Você é vida, amor, beleza
Você é paixão e minha riqueza.
VAZIO
Você partiu
Saudades deixou.
Os dias vão passando, passando
E meus pensamentos estão em você.
Recordo a cada momento
Nossos encontros
Revivo a cada segundo
Nosso amor eterno.
Aqui, fico a imaginar você aí
Deslumbrada com tantas visões
Praias
Céu e mar azul
Com ondas a beijar
Sol a brilhar e seu corpo bronzear.
O telefone chama.
Atendo.
É você a falar
E a saudade matar.
Volte.
Venha depressa
Desejo vê-la, tocá-la, amá-la
Meu grude, meu amor infinito.
SAUDADE
Como conter sentimentos
Sua ausência bate forte
Me faz reviver momentos inesquecíveis
De prazer, alegria, amor.
Sua ausência é doída
Me entristece
Me faz chorar de emoção
Machuca meu coração.
Vendo-a andar pela cidade
De dia, à noite
A pé, ou de ônibus
Só ou acompanhada
Vigiada, sem liberdade
Me mata de saudade.
Meu desejo é tocá-la, amá-la
Venha, abrace-me, entregue-se
Vamos viver nosso amor
Naquele ninho acolhedor.
UMA DECLARAÇÃO DE AMOR
Quisera ser o sol, para seu corpo aquecer
o vento, para seu corpo tocar
a chuva, para seu corpo molhar.
Quisera ser as flores coloridas
para seu corpo enfeitar
os pássaros, para sua beleza cantar.
Quisera ser as estrelas, a lua,
para à noite, seu corpo iluminar.
Quisera nos meandros deste lindo e deslumbrante corpo,
no todo exposto ao tempo
cativo às intempéries
exalando perfumes
exibindo seus encantos
entre curvas, altos e baixos
produzido com matizes cambiantes
trazidas nas nuanças das estações
nesta ornamentação perfeita
onde a natureza revela aos olhos de todos
transparências, cores, belezas e visões mil
num espetáculo a contemplar,
SERPENTEAR em suas ondulações e dizer:
Você é linda,
Amo você.
Quisera sempre com meus olhos admirá-la
Altaneira, imponente,
Com meus ouvidos captar
o som das águas percorrendo seu corpo
a brisa sussurrando entre as folhas
das árvores e arbustos
o orquestrado canto dos pássaros
ecoando sinfonias.
Quisera com meus pés em chinelos aveludados
percorrer suas entranhas
com minhas mãos tocá-la, acariciá-la, senti-la.
Quisera com minha voz bradar aos quatro ventos
Amo você
OH ! SERRA DA BOCAINA
E, com meu coração
entregar-lhe todo meu
AMOR ECOLÓGICO.
MÃE
Mãe, Mamma, Madre, Mother, Mère, Mutter,...
Em todos os idiomas
Em todos os tempos
Em todos os lugares
A cada instante, a cada fração de segundo
A palavra mãe é invocada.
Mãe que em momento mágico e sublime
Dá à vida, uma nova vida.
Amamenta, troca fraldas, alimenta,
Se preocupa,
Passa noites acordada
Canta canções de ninar
Sonha com o futuro.
Mãe que acode quando o filho se machuca
Quando vem as doenças,
As dores de barriga, de dente, de cabeça
A febre, os apertos do dia-a-dia.
Mãe que entende as manhas
Orienta nos estudos
Que sofre, que se alegra
Que está ali, firme e decidida
Com seu jeito alegre, cheia de energia, coragem
Cumprindo sua missão de anjo da guarda.
Seja em que idade for
É emocionante ver o filho buscando a mãe
É extraordinário ver e sentir
O exemplo de doação, de partilha, de amor
Sem nada pedir em troca.
Mãe é mesmo um talismã
Uma porta sempre aberta
Uma fonte inesgotável de amor
Embora sabendo serem os filhos
Apenas um pouco seus
E cada vez mais, filhos do mundo.
Mãe,
Mulher meiga, feminina, delicada, chique
Não importam os tons vocálicos
Os idiomas falados, ou o tempo
Ela enche a vida de emoções, de esperança
Mãe,
Suas palavras, seus ensinamentos
São perenes.
O gosto delicioso dos alimentos que faz
Inesquecível.
A companhia, o carinho, o amor,
A ternura, a entrega, o aconchego de todas as horas,
Insubstituíveis.
Mãe,
Ausente ou presente
Lavrense, mineira, brasileira ou estrangeira
Você é maravilhosa.
SER CRIANÇA
É nascer do amor
receber a graça de Deus
ter o dom da vida
e a candura de uma alma pura.
SER CRIANÇA
É viver inocentemente
com singeleza no olhar
sem hipocrisia, sem falsidade
e a felicidade encontrar.
SER CRIANÇA
É ter esperança
quebrar barreiras
unir pessoas, sentimentos
fazer encantamentos.
SER CRIANÇA
É brincar de pique, de roda
pular amarelinha, passar anel
trocar figurinha, bater tapão,
jogar bolinha de gude, futebol, rodar pião,
soltar pipas, estourar traques, andar de trole,
brincar de casinha, de bonecas, construir castelos na areia, andar descalço na enxurrada, tomar refrigerante, comer algodão doce, chupar pirulito, picolé, comer chocolate,
lambuzar o rosto, as mãos, a roupa,
se machucar, ficar doente,
acordar a noite, ir para a cama dos pais
chorar, sorrir, fazer birra.
SER CRIANÇA
É amar e viver a vida
de uma forma diferente
sem maldade, sem ambivalência,
sem segundas intenções, sem violência.
SER CRIANÇA
É viver a vida inteira
conhecendo a magia da vida
com simplicidade, com amor
sentindo seus encantos.
SER CRIANÇA
É sorrir para a vida com esperança
sendo adulto,
com uma alma de criança.
SONHOS - DEVANEIOS
O homem acalenta desejos infinitos
Na sua mente, no seu coração.
São os sonhos da imaginação
Que duram a vida inteira.
Mas que com ela, não se confundem
Porque o tempo a ela envelhece
E, eles, não.
Os sonhos são inexplicáveis,
Mas, compreensíveis
Fazem parte da espécie humana
Que pode senti-los, compreendê-los.
Fossem fatos da natureza
Seriam decifrados
Teriam explicações
Mas como são subjetivos
Não há como explicá-los.
Os sonhos - os devaneios
São abstrações
Como figuras
Num caleidoscópio
Buscando significado
Para revelar ao ser, enquanto ser
Na sua interpretação
À razão de seu existir.
RAIO DE SOL
O brilho de seus olhos é lindo
Lindo como a beleza dos raios solares
Numa manhã de inverno, em meio ao nevoeiro
Adentrando frestas de árvores
Como gotículas de chuva prismando no ar
Em tardes de verão, transformando-se no arco-íris
Ou, então, desabrochando-se como um botão de flor.
A gente fica fascinado, apaixonado
Querendo capturar e guardar para sempre no coração.
Seus olhos falam de sua intimidade
Falam da sua vida
Dos seus encantos
Dos seus segredos guardados
Falam do amor que reside dentro de você
Da sua ternura, da sua paixão, da sua sensibilidade.
Seu rosto meigo resplandece suavidade
Sua boca de lábios rosados é fascinante
Seu andar elegante, enfeitiça
Seu corpo bonito, mostra toda sua exterioridade.
Nos seus olhos vejo o reflexo dos meus
A procura dos seus.
RETROVISOR
Desejava chamar, gritar
Mas você se afastava mais e mais
E sua imagem se perdia no horizonte.
Na visão do espelho retrovisor
Era um dia como os outros
Apenas o sol não apareceu
E, com isso, a tristeza chegou
Deixando no olhar, a solidão estampada.
Foi quando de repente, sobre a face
Uma lágrima rolou
Apenas uma, e a suficiente para deixar
Ainda mais enternecido um coração
Dilacerado pela separação.
Sem me desesperar, perdido no tempo
Levantei o olhar uma vez mais
Quase que num suspiro final
Para buscar sua imagem que se perdia
E se confundia na distância, com o vazio.
Já não mais existia,
Parecia uma miragem, uma fantasia
Você se foi, deixando apenas saudade
Saudade que machuca
Saudade que dói
Saudade que me faz lembrar
Os dias e as noites que juntos passamos
Os lugares, as músicas, as palavras
Os momentos eternos
Saudade que me faz lembrar você.
O TEMPO
Quantas horas ?
Imaginemos o tempo
Na nossa mente
Imaginemos o tempo
Dentro do tempo
Ele um tempo dinâmico
Segundo, minuto, hora, dia, mês, ano, século
É um tempo correndo dentro do tempo
Sem parar o tempo
Passa o dia, vem a noite
Inicia, finda o ano
E o tempo continua correndo
Sem parar
Na imaginação
Imaginemos o tempo
Imaginemos nós dentro desse tempo
O tempo se foi
E, com ele, nós
O tempo corre
Correr para que
Se ele corre por nós.
Que horas são ?
ENCONTRO
Ontem, hoje e sempre
Encontros.
Encontros de amigos
Encontros de palavras
Encontros de alegria
Encontros de tristeza
Encontros de felicidade
Encontros da vida.
Portas e janelas abertas
Haverá sempre entradas e saídas
Chegadas e partidas
Permitindo encontros
De vontades, sonhos, desejos
Do dia com a noite
Do ontem com o hoje
Do hoje com o amanhã.
São encontros
Do tudo e de todos
Dos rios com os mares
Do sorriso com os lábios
Dos olhos com os olhares
Do amor com o coração.
CASO FORTUITO
Neste universo
De oceanos, céu, ventos, solo
De milhares de seres, objetos
É engraçado a força que as coisas têm
Elas se cruzam, se isolam, se misturam
E,
De repente
Sem o quê nem porquê
Na dimensão menor do planeta Terra
Nos encontramos
Você e eu
Nesta selva de pedras
Dentro dessa multidão que caminha esperançosa
Entre sonhos e realidade
A procura da felicidade
Foi um encontro fortuito
Inexplicável
Muito especial e real.
DISTÂNCIA
Fisicamente distantes
Diluídos no espaço
Dois corpos, se encontram, se ligam, se unem
Numa linguagem muda
De pensamentos que viajam através do tempo
Energizados e magnetizados
Pela força do amor.
Outras vezes
Por incrível que pareça
Dois corpos tão próximos
Separados por desencontros
Ficam tão distantes
Um ao norte
Outro ao sul
Falando línguas diferentes
Impedidos de ver, de ouvir, de sentir
As emoções do viver.
VIAGEM
É fascinante viajar
Percorrer caminhos
Desvendar mistérios
Viver intensamente cada momento.
Nossa trajetória é limitada
Alguns caminham rápido
Outros devagar
Mas todos procuram chegar ao seu destino.
Nesta viagem
O importante é:
Encontrar alguém
Adentrar seu corpo
Despertar seu coração
Dissipar enigmas
Fazê-lo feliz.
Viajemos...
Agora para dentro de nós
Para dentro de nosso coração
Caminhemos com passos firmes
Altivos, confiantes, esperançosos.
Caminhemos pela estrada da vida
Alargando horizontes
Deixando em nossas pegadas
Rastros de felicidade para os que nos seguem.
HISTÓRIAS - ESTÓRIAS
Histórias,
Estórias,
São fatos, ficções
Vividos, imaginados
Protagonizados na vida
Pelo homem.
São reais
Irreais
Misto do verdadeiro com o falso
Do ser com o não ser
Do acontecer com o ficcionar.
Histórias, estórias
Do passado, do presente
Petrificadas no tempo
Gravadas e relatadas na vida
Pelo homem.
LEMBRANÇAS
Ah! Lembrança
Presente
Sempre presente
Do passado
Onde tudo se vê
Onde tudo se sente
Nostalgicamente
Na distância...
Aqui dentro do peito
Solitário
Silencioso
Um coração bate de saudade
Por você
Nessa ausência
Que o tempo não desfaz
Lembrança
Ah! Lembrança!
DE VERBOS...
(UM ESBOÇO SOBRE AS AÇÕES HUMANAS)
Queria traçar em algumas linhas dessa folha
Sublimes rimas que refletem
Em mim, a tua poesia...
Construída com sólida arquitetura
Mas com toda leveza que vem de minh' alma
Como um prisma que dispersa o teu sorriso
Em um filme colorido
Mas, para isso, necessito de uma infinidade verbos
Pois sem eles não existe a ação, nem ao menos a existência,
O SER ou DEVIR
Há simplesmente o ESTAR, e estar simplesmente
Não é bom-é fugaz, incompleto...
Mas faz parte da natureza humana
Esta busca, esta contradição, esta mudança
Mutatis- Mutantis
E nesta busca vivo entre o passado, presente e o futuro
Conjugando todos os tempos e modos
No imperfeito, no mais que perfeito, no futuro pretérito
Em todas as possibilidades.
No imperativo faço valer daquela estrutura sólida
E, já no infinitivo tomo a liberdade de
CONJUGAR, EXPRESSAR, NASCER, RECRIAR, INTERPRETAR
ERGUER, TRAÇAR, VIVER, PERDOAR, ESQUECER
RENOVAR as esperanças, e finalmente, já entre o infinito
E o Gerúndio, fico TENTANDO encontrar RESPOSTAS
Para um verbo, o verbo AMAR
E..., JURO, CONTINUO TENTANDO,
Conjugar esse verbo simples
Que não vem dos livros
Mas do coração, do fundo d' alma...
Como um espelho refletindo sua face
Reconstruindo seus traços,
É o coração
E ele continua tentando.
André Gustavo P. de Andrade
O SILÊNCIO
O silêncio pode dizer muitas coisas
Por ser um retrato da alma
Esse silêncio às vezes pode representar
Uma dor, uma perda, uma ausência constante
Enfim, uma saudade, saudade de quem se foi
De quem está longe embora tão perto
Uma reflexão, uma pausa... para
Conter todo aquele turbilhão de sentimentos
Que de repente irrompem em uma lágrima
O silêncio pode ser de confusão, agitação interna
Que quer tornar-se... embora não saiba como?
Como transformar em palavras a sua angústia
Mas o silêncio também pode se mostrar
Em uma esfera de alegria, um olhar tenro
Um toque, um carinho na mulher que se ama,
Ou apenas em um gesto de um pais para um filho
Símbolo do respeito e da cumplicidade dos dois
Ah, o silêncio tem o intenso poder de ferir à distância
Mas como pertence à dicotomia humana pode
Também encher uma coração de alegria
Ah quanta perplexidade contém um silêncio
Quantas emoções, palavras mudas, gestos inacabados
Quanta saudade, quanto silêncio ao meu redor enquanto escrevo
Quanta PAZ...
André Gustavo Pereira de Andrade
BRISA
Por um momento
Fiz-me vento e viajei até seus aposentos...
Estavas repousando!
Senti o perfume de tua pele
O calor de teu corpo
A beleza de teus contornos...
Preenchi todo o quarto com meu amor que,
Embora pleno naquela ocasião,
Tornara-se incorpóreo pelas circunstâncias.
Te vi e te senti
Não mais me continha
Eras tão bela
Que numa pequena brisa beijei-a
Fazendo-a acordar então para os meus sonhos...
José Renato Pereira de Andrade
DESPERTAR
Que a pobreza de minha mensagem
Não ofusque o brilho de tua inteligência.
Que a beleza não se perca
Pela dureza e insensibilidade do mundo.
Que a paixão viva sempre latente
Nos corações
E que o amor seja o hino a embalar
O sorriso de cada ser humano.
Que encontremos a razão da vida
No sorriso de uma criança
Num gesto simples de bondade
No encanto da Mãe Natureza
Em saudosas recordações ou
Na poesia de tantos enamorados.
Que a luz brilhe
E haja pelo menos um foco
Nos momentos de angústia e solidão.
Que o sabor de estar vivo não se perca,
Mas se renove a cada alvorecer.
Que minha existência
Não seja mórbida, rastejante e rotineira,
Mas que meus dons sejam dissipados
Sinalizando um bom caminho.
Que eu não morra sem ter vivido uma grande ilusão,
Mas que pela vida eu aprenda,
Realmente,
A razão de uma doce paixão.
José Renato Pereira de Andrade
UM ALENTO
Talvez, você no auge de sua vida
Ainda não deu conta da presença do próximo
Mas, ele está aqui, é como você
É feito de carne e osso
Ouve, fala, vê
Sente insegurança
Tem medo
Se entristece,
Se decepciona
Sente dor, sofre
Tem esperança
Vive o presente
Acredita no amanhã
Se alegra
Tem o sol, a lua, o ar, a água, o solo
A fé
É feliz
Existe
Vive
Emociona-se
Ama a vida, as pessoas, o universo.
Por quê ser diferente?
Desconhecer o próximo?
O sucesso é efêmero
Não há bem que sempre dure
Não há mal que não se acabe.
Já experimentou a solidão, a depressão, o stress?
Acredita ser mesmo capaz de viver num mundo só seu?
Quem o alimentaria
Quem o vestiria
Quem lhe prepararia os remédios
Quem construiria sua casa
Quem lhe faria companhia?
Abra os olhos, os ouvidos, o coração
Veja o próximo
Escute a sua voz
Ame-o
O amor é a razão da vida
Assim, você será muito mais feliz.
FANTASIA
É gostoso fechar os olhos
Lembrar você.
A fragrância de seu perfume
O envolvimento de seus braços
As carícias de suas mãos
O calor de seu corpo
Persistem ainda
Quase que...
Uma brisa na ramagem
Um remanso no rio
Um sorriso de criança.
É um devaneio
Que me faz mergulhar
No espaço infinito da vida
Com sua lembrança
E sentir o prazer de viver.
É a imaginação transpondo o real
Até atingir o irreal mundo das fantasias
Onde existe, além da felicidade
A alegria de sonhar.
Sonhar os mais belos sonhos de amor
As mais belas histórias
Depois, acordar
Sabendo que você existe
E é uma esperança na vida.
FRAGILIDADE
A fragilidade da vida humana
É como a tênue chama da vela
Que se esconde do vento
Da efêmera gotícula d' água
Equilibrando-se na superfície de uma pétala floral
A refletir a luz do sol
Na certeza de que o calor a fará desaparecer.
A vulnerabilidade da vida humana
Está no horizonte do pensamento
No deslocar das nuvens do céu
À beira mar, com as ondas que vão e vem
No som que se perde na distância.
A fragilidade da vida humana
Está na sua chegada
Na sua permanência
Na sua luta diária pela sobrevivência
Na saúde, na doença
Na certeza de sua fragilidade
E na busca de se conseguir
MAIS UM DIA PARA VIVER.
CAMINHEIRO
Você é passageiro da vida
Viajante do tempo
Um sonhador.
Caminheiro
Contemple na escalada do tempo
O talento do criador
Sonhe com a vida como a imagina
Através de seus pensamentos secretos
Transportados pela mente, dando asas a imaginação.
Caminheiro
O perfil do universo
É o alento dos que crêem
Acredite
Fale com sua consciência
Ela lhe dirá.
Caminheiro
Você é passageiro da vida
Viajante do tempo
Caminhe, viaje, sonhe
Você está vivo
É o felizardo desta vida.
LIBERDADE
Montanhas
Mares
Muralhas
Portões
Grades
Cadeados
São fortalezas que
Aprisionam homens
Mulheres, crianças
Mas não aprisionam sentimentos
Porque esses viajam com os pensamentos
Sem barreiras a interceptá-los.
O íntimo do coração
É ponto vital dos sentimentos
E as fortalezas não impedem
O tráfico dos pensamentos
Que transcendem, chegam e vão
Somente aonde pode chegar e ir a imaginação.
Obstáculos...
Aprisionam, impedem deslocamentos físicos
Mas não obstruem os pensamentos
Que norteiam a verdadeira razão do viver
A LIBERDADE.
FALE
Fale de tudo que faz você feliz
Fale da vida
Fale do nascer de um novo ser
Do germinar da semente
Do desabrochar de uma flor.
Fale.
Fale do tempo
Da primavera
Da chuva a cair
Do riacho a correr
Da brisa fresca de verão
Do alvorecer
Do crepúsculo
Das ondas do mar
Do azul celestial
Fale
Fale do sorriso da criança
Do exemplo dos idosos
Do amor
Da esperança
Da fé.
Fale
Fale do concreto
Do abstrato
Da espera
Da chegada.
Fale
Fale de tudo que seu coração está repleto
Fale, pois a palavra é a expressão da alma.
Fale
Fale de tudo que faz você feliz
Pois, hoje, você é o dono da palavra.
NATAL
Nesta época do ano é lindo o visual.
Cidades totalmente iluminadas.
O colorido das lâmpadas estendidas sobre as torres das igrejas, edifícios, árvores, lojas, faz das noites de dezembro, verdadeiros caleidoscópio e bolas de cristal, onde as pessoas depositam seus sonhos, na esperança de realizá-los.
Nas calçadas e ruas, ao som dos motores e acordes natalinos, o fervilhar de pessoas e carros.
Trânsito alucinante.
Sinal que abre
gente que passa
carros que param.
Sinal que fecha
gente que pára
carros que passam.
Uma loucura.
Comércio e ruas.
É tempo de festa.
Tempo de presentes.
Crianças, jovens, adultos e idosos
pobres, ricos
todos acalentam o desejo
de ganhar um presente.
E
na espera
passa o tempo
sem que as pessoas tenham tempo
de ver o tempo passar.
Tudo é permitido
tudo é possível.
Pois,
sonhar
não é proibido.
Dezembro.
Mais uma vez é NATAL.
Tempo do advento
tempo de alegria
tempo de reflexão.
VIDA
Que valor poderíamos dar à luz do sol se não conhecêssemos as trevas da noite, ou que valor daríamos ao bálsamo se não existisse a dor?
Muitos, para entender o verdadeiro sentido da vida, precisam conhecer primeiro o infortúnio. Quando este chega, mergulham em seu interior para, numa meditação profunda, se conhecerem melhor e saber quem realmente são.
Façamos uma reflexão, não absoluta sobre o tema.
Quem vive sabe que a vida é assim.
Às vezes se ganha, às vezes se perde.
Ganha-se com a fecundação, perde-se com a morte.
Ganha-se com sorrisos, perde-se com lágrimas.
Ganha-se com a paz, perde-se com a guerra.
Ganha-se com sonhos, perde-se com desilusões.
Ganha-se com vitórias, perde-se com derrotas.
Ganha-se com altruísmo, perde-se com egoísmo.
Ganha-se com amor, perde-se com o ódio.
Ganha-se com a esperança, perde-se com a desesperança.
Ganha-se com a fé, perde-se com a descrença.
A vida nos mostra:
Ganha quem doa
quem vê e ouve
quem perdoa
quem liberta
quem compreende
quem realiza
quem é justo
quem ama
quem renuncia
quem faz o outro sorrir
quem faz o outro feliz.
Perde quem escraviza
quem acusa
quem faz o outro chorar
quem se faz de cego e surdo
quem magoa
quem destrói
quem odeia
quem não crê
quem é ganancioso
quem pratica injustiça
quem usa e abusa do outro
quem faz o outro infeliz.
Nesta vida, o sonho de todos é ganhar, é vencer, mas há necessidade de passar por cima dos outros para vencer, para ganhar?
Medite.
A gente ganha, a gente perde.
Há compensações.
CHAVE
O mundo precisa de chaves
Chaves para abrir
Olhos que não vêem
Ouvidos que não ouvem
Bocas que não falam
Braços cruzados
Memórias guardadas
Corações trancados
Portas fechadas.
Chave
O mundo precisa de chaves
Você é a chave
Que abre os olhos da juventude deixando-os avistar o horizonte.
Que abre os ouvidos para ouvir os ensinamentos.
Que abre as bocas para proferir palavras de conhecimento e cânticos de liberdade
Que abre os braços para abraçar o ideal.
Que abre a memória para lembrar dos fracos, humildes e esquecidos.
Que abre corações deixando-os arder na fé.
Que abre as portas da esperança.
Chave
O mundo precisa de chaves
Você é a chave
Abra tudo
Deixe tudo aberto
Tudo escancarado
Pois você é o artista
Que ilumina e faz este mundo melhor.
CARNAVAL é:
Delírio.
Magia
Alucinação
Feitiço
Prazer
Elevação.
CARNAVAL é:
A alquimia do encanto
Da expressividade
Do corpo e da mente
Na satisfação
Da imaginação.
Brincar o carnaval é:
Deliciar os momentos deste tempo,
ao som dos tamborins, surdos, repiniques, sambas, enredos.
É encontrar a felicidade,
vivê-la, guardá-la no coração e na mente,
neste tempo efêmero de ilusões.
Ao som contagiante do carnaval.
Respira-se
Transpira-se por todos os poros
A alegria.
É deslumbrante.
Ah!
Nova Lavras, Goiabeira, Suvaco de Cobra,
Mocidade, Alegre da Zona Norte, Meu Consolo é você, Vila Jardim.
Por onde andam vocês?
Estamos morrendo de saudade.
Mas, enquanto vocês não vêm para a avenida, continuamos
sonhando, exaltando as fantasias de nossos sonhos, sambando ao som do trio elétrico que eletriza, e nos faz sambar no Bloco do Pão Moiado, no Bloco dos Ferroviários Fora de Linha, no Bloco da Alvorada, na Banda do Funil, na Banda do Meio, na Banda do Final.
O QUE SOMOS
Respeitando ideologias
Somos um ser composto
Formado de matéria e espírito.
Uma transparência que organiza e manda
Um corpo que obedece e serve.
Somos o que todos vêem e não vêem
O real e o virtual
O visível e o invisível
Somos o exterior e o interior
O concreto e o abstrato
O divisível e o indivisível
Somos o mutável e o imutável
O efêmero e o eterno
O mortal e o imortal
Somos o que se consome e o que permanece.
Somos o tudo
Somos o nada
Somos a vida que habita o cosmo.
Somos enquanto compostos
Dualidade.
Vida corpórea
Vida espiritual.
Somos a vida que ganhamos de Deus herdada de nossos pais
A vida que provisoriamente administramos.
Somos planos, projetos, sonhos, ilusões, desilusões
Construções, realizações.
Somos o transitório
Deste cenário de caminhadas terrenas,
Um misto de alegria, tristeza, felicidade, sofrimento
A espera de uma vida futura
Que pode chegar a qualquer momento
Na permuta do visível com o invisível
Entre o mundo terreno e o celestial.
Deixando para os que ficam, as dores que invadem o seu ser
E quantas dores...
DOR
Dor do corpo
Dor da alma
Dor doída
Dor que machuca
Dor que faz sofrer.
Dor
Dor de uma perda
Dor da tristeza
Dor de uma saudade
Dor da solidão
Dor do abandono.
Dor
Dor física
Dor espiritual
Dor passageira
Dor permanente
Dor da dor.
Dor
Dor aparente que se mostra
Dor escondida que se esconde
Dor
Dor que habita
O corpo e a alma da gente.
Dor
Quantas dores
Para vencê-las
A solidariedade dos amigos
A fé em Deus
Criador de todas as coisas.
O INVASOR
Quero invadir sua mente
Ir onde estão guardados
Todos os seus segredos.
Quero mergulhar no seu inconsciente
Viajar pelo consciente
Navegar nos seus pensamentos
E aproximar-me do seu eu.
Quero viajar e conhecer
Os caminhos misteriosos dessa mente
Ora em momentos de paz
Ora sob tempestades, tormentos
Sentindo a alegria, a tristeza
Olhando para dentro
Vendo tudo acontecer
Na distância ínfima ou infinita
Para poder revelar-me no semblante
Do seu ser que vive.
Sinto que é possível
Acredite.
Basta abrir sua mente, seu coração
Entrarei sem quebrar
Nada dessas fortalezas
Que guardam com sabedoria
Seus sentimentos, seus segredos
E,
Assim,
Poderei,
Com minha imaginação
Conhecer sua intimidade
Realizar seus sonhos
E seus desejos.
FIM
Contou-me o poeta que
Às vésperas de uma longínqua
Primavera de 1938, no apogeu
Dos seus 21 anos, chegava a Lavras
Com sua bagagem de garra e vontade
para vencer a luta por uma vida digna.
Hoje, 64 anos depois, presenteia-nos
Com seu terceiro livro de poesias,
Fruto de todas essas primaveras
E de toda a sensibilidade
Lapidada através dos anos.
"O tempo
não existe
para a alma
do poelta..."
já nos diz em uma das suas poesias,
algumas das quais deixam supor amarguras
que fazem parte do ser sensível que coleciona
emoções e nos devolve obras como
mais essa, para o nosso imenso prazer.
Vinte e um de setembro,
Há sessenta e quatro anos!
"E o eu de agora
E o eu de ontem
Soluçam juntos...".
Parabéns, poeta!
Samuel Alvarenga Filho
(leitor de poesia)
Os poetas possuem a alma inquieta
e o coração acalentado; os escritores
traduzem em palavras nossos sentimentos
e sonhos sem fim. Agora o professor Dr.
José Alves de Andrade soube fundir esses
dons divinos em um só. Suas poesias nos
remetem a lugares maravilhosos e enchem
nossos corações de pura emoção,
levando-nos ao espaço e deixando-nos
entre as mais belas estrelas através de
pura magia. Se o leitor quer voar mas
ainda não sabe como ou se quer sonhar
mais ainda não consegue o sono ideal,
encontrará nessa obra e nas poesias
de nosso professor tudo o que necessita.
E que tais poesias durem aquilo que
passar e pelo tempo que durar....
Mário Figueiredo Filho
(Dr. Mário Figueiredo Filho é Advogado, militante na área cível e trabalhista na Comarca de Lavras).